17 de setembro de 2021

Entrevista do mês de setembro: Claudio Maierovitch

Autor: Inês Costal e Patrícia Conceição


O médico sanitarista Claudio Maierovitch Pessanha Henriques é o entrevistado do mês de setembro do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS). Mestre em Medicina Preventiva e Social e com trajetória dedicada à vigilância em saúde, epidemiologia e saúde coletiva, nosso entrevistado aponta fragilidades e frentes de ação que devem ser priorizadas no Sistema de Vigilância Epidemiológica do Sistema Único de Saúde (SUS) no contexto da pandemia de Covid-19 e destaca a falta de coordenação e diretrizes claras para a resposta à pandemia. Para o ex-diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde (2011-2016), “o grande aprendizado que o SUS teve nas crises anteriores, inclusive a epidemia de Zika e microcefalia, não foi tomado como sustentação para esta pandemia”. Sobre a atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Maierovitch, que foi presidente da autarquia entre 2003 e 2005, avalia que a agência “acertou mais do que errou na maior parte de suas decisões”. “[ A Anvisa] Agiu com base em análises técnicas apoiadas no conhecimento científico disponível e foi capaz de adequar seu ritmo e suas normas às necessidades impostas pela crise”, concluiu. Boa leitura!

 

Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS): Você é um dos autores do artigo em preprint (versão prévia) “Fortalecer as Atividades de Informação e Vigilância Epidemiológica é Essencial e Urgente para Reduzir a Força de Transmissão do SARS-CoV-2”, que destaca a necessidade urgente de fortalecimento da Vigilância Epidemiológica no país no contexto da pandemia de Covid-19. No atual cenário da pandemia, quais frentes de ação devem ser priorizadas no Sistema de Vigilância Epidemiológica do SUS?

 

Claudio Maierovitch: 1) Ação de vigilância na rede de atenção à saúde. As equipes de atenção primária, em especial da Estratégia de Saúde da Família, devem receber reforço de pessoal, capacitação e infraestrutura para: a) detectar casos suspeitos de Covid-19; b) testar casos suspeitos e seus contatos; c) orientar e monitorar casos suspeitos e confirmados, rastrear e monitorar contatos; c) desenvolver atividades de educação sobre a doença em seus territórios de atuação; d) conhecer e apoiar pessoas e famílias em condição de risco ou vulnerabilidade; e) conhecer e articular-se com as organizações e recursos locais – públicos e privados – que podem participar das atividades de prevenção e apoio às pessoas; f) organizar a atividade de imunização nos postos de vacinação e em locais estratégicos; g) desenvolver atividades para obter alta cobertura vacinal com esquema completo, incluindo comunicação e visitas domiciliares; h) apoiar trabalhadores, empregadores e estabelecimentos de ensino para reduzir os riscos de transmissão; i) participar de fluxos de referência e contrarreferência com serviços hospitalares, especializados, hospitalares e os de reabilitação para garantir o cuidado integral.

 

2) Aperfeiçoamento dos sistemas de notificação e análise de informação, integrando os dados de casos, em acompanhamento ambulatorial, internações, óbitos, utilização dos serviços de internação (e UTIs) e imunização.

 

3) Restabelecer capacidade de planejamento conjunto das três esferas de governo e integrado a outros setores responsáveis por atividades com repercussão na prevenção e no apoio à população. Apresentar os planos contendo o detalhamento de atividades para discussão com os diversos segmentos da sociedade e cuidar para que estejam atualizados, sempre com base nos conhecimentos científicos disponíveis a cada momento.

 

4) Estabelecer mecanismos de governança, com a participação dos setores envolvidos para coordenar a resposta [à pandemia], e antecipar-se a possíveis problemas, inclusive aqueles relacionados às cadeias de suprimento de medicamentos, insumos e equipamentos de proteção.

 

5) Fortalecer a capacidade de coordenação e operação do programa nacional de imunizações e seus equivalentes nos estados e municípios. Isso significa reforçar as equipes com gente qualificada, melhoria dos sistemas de informação, correção rápida de problemas nos sistemas de armazenamento, transporte e distribuição, com especial atenção para a manutenção da cadeia de frio.

 

6) Desenvolver amplas campanhas de comunicação para a prevenção da transmissão do vírus, com especial destaque para o isolamento físico, a restrição de atividades de risco e o uso adequado de máscaras de proteção de qualidade.

 

7) Desenvolver também ampla e contínua campanha de comunicação sobre a vacinação, sua importância, os calendários e regimes de doses.

 

8) Garantir a encomenda e a compra de vacinas, mantendo contato permanente com fabricantes, importadores e os órgãos de regulação, em particular a Anvisa.

 

9) Estabelecer mecanismos de interlocução contínua entre os gestores, com especialistas, pesquisadores e a sociedade, adaptados, evidentemente, às peculiaridades de cada segmento.

 

10) Apresentar recomendações quanto ao confinamento e à restrição de atividades de forma pública.

 

11) Monitorar o comportamento da pandemia no país e no mundo para propor, quando indicadas, restrições ao funcionamento de meios de transporte e locomoção.

 

Clique aqui e leia a entrevista na íntegra.



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